Guerreiros da Virgem – A réplica da autenticidade – A TFP sem segredos (PDF)

No mês de julho de 1985 foi posto à venda nas livrarias de São Paulo e de outras cidades do Brasil o livro Guerreiros da Virgem – A vida secreta na TFP, de autoria do sr. José Antônio Pedriali (EMW Editores, São Paulo, 1985, 201 pp.).

O lançamento da obra foi precedido pela publicação, na edição de 20 de junho p.p. de “O Estado de S. Paulo”, de um resumo do livro, ocupando uma página inteira e constante de extenso depoimento do autor, sob o título Guerreiros da Virgem, escravos da TFP.

A importância concedida pelo volumoso matutino a tal depoimento se pode aquilatar não só pela extensão da matéria, como também pelo fato de ter sido esta antecedida por vistosa propaganda publicada durante todos os dias da semana anterior, ocupando nada menos que duas colunas com 20 centímetros de altura.

Já antes, ainda, segundo todas as aparências, a Agência Estado tinha posto à disposição de jornais de todo o Brasil, matéria jornalística contendo o resumo do livro.

“O Estado de S. Paulo” dava assim impulso a uma nova investida publicitária de grande envergadura contra a maior entidade civil anticomunista do Brasil.

Fazendo eco à publicidade de “O Estado de S. Paulo”, outros jornais e revistas de todo o País divulgaram matérias de variáveis extensões com o resumo da história que o sr. José Antônio Pedriali narra em seu livro, ou com declarações obtidas diretamente do próprio autor, hoje integrante do quadro de jornalistas do referido matutino paulista.

Dois dias depois, em 2 de julho de 1985, o mesmo “OESP” publicava uma notícia sobre o assunto sob o título TFP não comenta o depoimento. E por ocasião do lançamento do livro na capital paulista, em 13 de agosto de 1985, nova matéria, intitulada Um ex-militante conta os segredos e táticas da TFP.

Por mais que o autor procure atenuar – pelo menos na forma – o caráter agudamente polêmico do seu livro, mediante o uso, ao longo de quase toda a sua narração, de uma linguagem serena e como que imparcial, esta é inteiramente voltada a demolir o bom conceito da TFP, especialmente junto ao público atingido por “O Estado de S. Paulo”. Pois este foi e continua sendo, muito de longe, o principal órgão de comunicação social com que conta o livro Guerreiros da Virgem.

Com efeito, segundo as afirmativas do mencionado diário, anda por volta de 420 mil exemplares sua tiragem dominical (cerca do dobro de sua tiragem normal dos outros dias da semana). E foi num domingo que saiu o resumo de página inteira de Guerreiros da Virgem.

É verdade que tal público já não é de proporção a assegurar a “O Estado de S. Paulo” o primado incontestável da imprensa quotidiana em nosso Estado, do qual outrora gozou.

Porém, a despeito de lhe vir a “Folha de S. Paulo” disputando com crescentes êxitos esse primado, resta a “OESP não só o precioso legado do velho prestígio de outros tempos, como também um campo de leitores ainda largo e influente.

Importava, portanto, à TFP responder às acusações do sr. José Antônio Pedriali formuladas em seu livro, como na glosa que dele fez o matutino paulista.

* * *

Dado o caráter sensasionalístico da matéria publicada por “OESP” no dia 30 de junho, o Serviço de Imprensa da TFP foi por mim autorizado a informar desde logo que esta Sociedade replicaria aos ataques a ela dirigidos.

Embora constatando de antemão o cunho hostil à TFP, do anunciado livro, não tinha eu, até então, o direito de supor que ele viesse a apresentar características que o tornassem indigno de nossa réplica. E assim autorizei nosso Serviço de Imprensa a divulgar também que eu próprio me encarregaria de preparar a defesa da TFP, assim que terminasse o livro sobre o Plano Nacional da Reforma Agrária, que estava escrevendo (cfr. “O Estado de S. Paulo”, 2-7-85).

Se não fosse o ter-me engajado dessa maneira a fazer a réplica, não a faria agora; devo declará-lo desde logo.

Com efeito, o sr. José Antônio Pedriali apresenta, nas páginas 40-41, 90 a 92 e 190 a 193 de seu livro, descrições tão imorais, e até tão pormenorizadamente obscenas, que poderiam figurar com destaque na farta literatura pornográfica atualmente em curso em nosso País. O que, de si, torna o livro indigno de refutação, pelo menos para um católico fiel à moral tradicional da Igreja, suposto que não se haja deixado abalar pelos ventos de autodemolição que sopram agora em tão largos meios católicos do mundo inteiro.

Em rigor, tal refutação nem seria necessária. Pois apesar da propaganda estrondejante que precedeu e acompanhou o lançamento de Guerreiros da Virgem, esse livro nem de longe causou no grande público o efeito que o autor e a lançadora dele esperavam.

“Tudo quanto é exagerado é insignificante” – afirmou certo autor francês do século XIX. O desmesurado, o evidentemente inverossímil da acusação do sr. José Antônio Pedriali reduziu-a liminarmente à merecida insignificância.

Sentiu-o, aliás, o próprio “OESP” que, colhendo do chão, onde caíra, a invectiva do sr. José Antônio Pedriali, tentou reerguê-la abrindo espaço para três artigos seriados de seu colaborador Prof. Roque Spencer Maciel de Barros, publicados com destaque na página 2, nas terças-feiras 29 de outubro, 5 e 12 de novembro de 1985. Tais artigos não faziam senão endossar e repisar os ataques infundados do livro Guerreiros da Virgem, e foram recebidos com a mesma indiferença pela opinião pública.

Contudo, se eu me calasse depois de ter prometido a refutação, dir-se-ia que não tinha resposta a dar. É só o resguardo do nosso bom nome contra esta injusta impressão que me leva, pois, a publicar a defesa da TFP contra esse livro pornográfico.

Porém, a fazer uma refutação, não havia outra alternativa senão estendê-la, na medida do possível, a quanto merecesse, do ponto de vista do bom nome da TFP, ou do especial interesse do leitor, ser impugnado. “Na medida do possível”, insisto. Pois tantas são as acusações que, a refutá- las todas, a réplica já extensa, tomaria proporções inaceitáveis para o leitor moderno.

Daí o fato de ser tão volumosa a presente refutação.

Daí também o largo tempo que se passou entre a investida do Sr. José Antônio Pedriali e a data em que sai a lume o presente trabalho.

Aliás, boa parte desse tempo não foi só consagrada à refutação de Guerreiros da Virgem. O autor deste volume teve também de redigir, com o Master of Science em Economia Agrária Carlos Patrício del Campo, o livro A propriedade privada e a livre iniciativa, no tufão agroreformista, clamorosamente reclamado pelas circunstâncias em que vinha afundando o País; e dirigir a campanha de envergadura nacional levada a cabo pela TFP para a difusão dessa obra em 652 cidades, ao longo de 85 dias, e com o escoamento de 14 mil exemplares.

O presente trabalho é refutação precisamente do quê? Do resumo de Guerreiros da Virgem publicado, com glosa própria, por “OESP”, na reportagem de 30 de junho p.p.? ou refutação do próprio livro?

As acusações dignas de atenção vinham, quase todas, contidas no resumo publicado por “OESP”. Mas muitos elementos indispensáveis para a refutação do livro não figuravam em tal resumo. Por exemplo, a matéria de “OESP” omite as três cenas de lubricidade e pornografia que manifestam a crise de pureza, sem a qual o afastamento do autor em relação à TFP só pode ser entendido de modo incompleto.

Quem se cingisse, a esse respeito, ao declarado muito sucintamente no entretanto largo resumo de “O Estado de S. Paulo”, teria assim uma visão da realidade falha em um dos seus aspectos essenciais e característicos.

Aliás, um resumo não tem, para efeito de crítica, uma existência inteiramente autônoma do texto original que ele visa abreviar. Pelo que, qualquer crítico consciencioso não se contenta em analisar o resumo, e vai também ao texto original.

Mas concluída a análise deste, se verifica dispensável um comentário autônomo do resumo. E assim a presente refutação se centra no livro Guerreiros da Virgem – a vida secreta da TFP, aduzindo, quando conveniente, observações do resumo e das demais publicações de o “OESP”, ou de outros órgão de comunicação social que a elas fizeram coro.

* * *

Registra aqui o autor seu agradecimento pela inteligente cooperação da douta Comissão de Estudos Médicos da TFP. O parecer elaborado por dois de seus componentes, Dr. Edwaldo Marques e Dr. Miguel Beccar Varela – publicado em Apêndice, neste volume – sobre o fundo freudiano das narrações do sr. J.A..P., foi de grande valia para corroborar, do ponto de vista científico, certas afirmações de ordem doutrinárias feita no decorrer desta refutação.

* * *

“Guerreiros da Virgem”, nós nos honramos de ser. E é sob a égide dAquela que é, para seus inimigos, “terribilis ut castrorum acies ordinata” – “terrível como um exército em ordem de batalha” (Cant. VI, 3 e 9), que vem agora a lume a obra Guerreiros da Virgem – A réplica da autenticidade / A TFP sem segredos, na qual a entidade se reafirma como é e sempre foi, sem véus nem segredos, em todo o vigor de sua autenticidade.

São Paulo, 21 de novembro de 1985

Festa da Apresentação da Santíssima Virgem

PLINIO CORRÊA DE OLIVEIRA

Presidente do Conselho Nacional da TFP

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